Autismo: busque o que é apropriado para a felicidade

Todos nós temos nossas preferências particulares. Sabe aqueles assuntos que gostamos de falar, pesquisar, estudar? Pode ser um interesse mais intenso, pode ser um assunto bem diferente. O fato é que, em pessoas com autismo, os interesses costumam ser ainda mais intensos e ainda mais diferentes dos demais.

Quando olhamos para a pessoa com autismo como um indivíduo único, completo, com seus gostos e características particulares, fica mais fácil compreender suas fixações. Esse exercício faz parte da aceitação.

Meu filho sempre teve interesses diferentes das outras crianças da sua idade: alfabetos, idiomas, matemática, jogos educativos e sua paixão agora são os instrumentos musicais. Ele dificilmente se interessa pelos brinquedos tradicionais. Mas eu desisti de insistir naquilo que seria adequado para sua idade assim que percebi que deveria concentrar-me no que era adequado para a sua felicidade. Isso não só permitiu que ele fosse feliz, como abriu as portas para que eu me conectasse a ele.

Por que tirar-lhe aquilo que o deixa feliz? Por que tentar torná-lo algo que ele não é? Qual a razão para não permitir que esteja em contato com as coisas que mais ama?

Os temas de maior interesse costumam reduzir a ansiedade, além de serem os assuntos que mais os motivam. É claro que é importante não alimentar as obsessões e sempre ampliar os interesses, mas também é importante entender que as preferências fazem parte da construção da personalidade de cada um. E os interesses irão mudar com o passar do tempo.

Então tudo bem gostar de pesquisar a história dos dinossauros, entender como funcionam os aviões ou colecionar gibis. Desde que encontremos amigos para partilhar e trocar informações, desde que não haja isolamento, desde que novas informações sejam sempre apresentadas, desde que fujamos da mesmice, desde que não os deixemos brincando sozinhos.

Ser autêntico e autoconfiante é uma das melhores lições que podemos ensinar aos nossos filhos. Por toda nossa vida iremos cruzar pessoas com quem não compartilhamos os mesmos gostos. Não é necessário ser igual a todo mundo… Por isso é tão necessário aprender a buscar aqueles que valorizem nossos interesses, independente do quão diferentes possam parecer. E investir naquilo que nos traz a felicidade!

Por Amanda Puly

 

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As fixações e o autismo

 

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