Autismo: a culpa é novamente das mães…

Apesar de algumas pessoas ainda acreditarem naquele conceito primitivo (quase reptiliano) de que o autismo das crianças é causado pela falta de afetividade de suas mães, o conceito de “mãe geladeira” – da década de 50 – já caiu por terra há muitos anos.

Ficar grávida nos dias de hoje está mais estressante do que nunca. As listas sobre o que fazer e o que não fazer são enooormes. “Não coma sushi”, “não tome álcool”, “fuja da cafeína”, “isso é ótimo”, “isso nem pensar”.

Uma busca rápida pela internet sobre os distúrbios do desenvolvimento associados à hábitos durante a gestação pode levar à paranoia qualquer nova mãe. Os fatores de risco são tão diversos, que as crianças já nascem praticamente sentenciadas. Evite estresse, gripe, obesidade, açúcar, antidepressivos, ácido fólico… fuja da ansiedade! Cuidado com sua idade – e a idade do pai também!

Não há nada de errado com os estudos que investigam os vínculos entre os diversos fatores e o autismo ou outros distúrbios do desenvolvimento. O problema é forma irresponsável como esses estudos se apresenta. A culpa recai sobre o estilo de vida das gestantes e suas escolhas.

Não bastasse essa enxurrada de informações durante a gestação, agora atribui-se a culpa também ao fato das mães precisarem trabalhar fora e levarem uma vida muito atarefada. Será que estamos retrocedendo algumas décadas?

O autismo raramente é causado por apenas um fator. Toda a vida de uma criança é impactada pela genética (pai + mãe), ambiente (casa, escola, sociedade) e outros fatores externos (alimentação, poluição, estilo de vida, escolhas, contaminações, etc).

A maternidade já suficientemente difícil, mesmo sabendo que não somos as responsáveis por todo o desenvolvimento da criança. Julgamentos são ruins para as mães e ainda piores para os filhos. Então sejamos mais empáticos e tolerantes, a maior parte de nós já está fazendo o melhor que pode!

Por Amanda Puly

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