Crianças especiais, amizades e bullying

Crianças com necessidades especiais – como deficiência física, intelectual, do desenvolvimento, emocional ou sensorial – são alvos comuns e frequentes de bullying. Muitas dessas crianças já enfrentam outros desafios no âmbito escolar.

As intimidações agravam ainda mais as dificuldades escolares, diminuindo notas, trazendo problemas de sono, bloqueando a concentração, fazendo com que a criança perca o interesse e aumentando as possibilidades de abandono escolar. Dificuldades de comunicação e problemas emocionais podem fazer com que a criança demore ainda mais para demonstrar sinais de que algo não vai bem.

O bullying pode apresentar-se de várias formas: através da exclusão, das agressões verbais, do abuso físico (violência), da manipulação, etc.

EFEITOS DO BULLYING

Os efeitos que o bullying traz sobre uma criança especial costumam ser devastadores. Dentre eles estão a queda na autoestima e autoconfiança, depressão, ansiedade, problemas de aprendizagem e até tendências suicidas.

Pais, educadores e outros adultos que convivem com essas crianças são os defensores mais importantes que elas podem ter. Em geral, elas não têm o entendimento do que é uma amizade verdadeira. Este é um dos pontos mais relevantes, que muitas vezes negligenciamos ao não dar a devida importância.

ENSINANDO SOBRE AMIZADES

A criança que aprende o conceito de amizade, dificilmente será enganada em um relacionamento abusivo ou manipulador.

  • Ensine sobre amizades saudáveis, mostrando que amizades verdadeiras não tentam manipular, degradar ou abusar dos outros.
  • Ajude a criança a distinguir quem são os melhores amigos, os coleguinhas para brincar e aqueles que é melhor manter distância.
  • Converse sobre amizade em vários momentos do dia, mostre os tipos de amigos que passam por nossa vida. É possível conversar sobre o ciclo das amizades, sobre aqueles modelos que vemos em programas de televisão, nas historinhas nos livros ou em outras situações cotidianas.
  • Conheça os amigos da criança. Acompanhe a dinâmica das brincadeiras (na escola ou outros lugares) e fique alerta para detectar possíveis bandeiras vermelhas. Estando vigilante é mais fácil dar à criança apoio e as ferramentas para lidar com situações ao desconfiar de alguma relação, enquanto os problemas ainda estão pequenos.

OUTRAS FORMAS DE AJUDAR

  • Converse com professores e outros profissionais da escola para que também fiquem atentos. Mudanças de comportamento, desinteresse, choros constantes ou inapropriados e agressividade podem ser sinais de alerta.
  • Identifique qualidades na criança e faça com que ela também as enxergue. Isso aumenta a confiança que ela precisará ter em si mesma.
  • Ensine a criança a ignorar as provocações e comunicar imediatamente um adulto sempre que se sentir intimidada.
  • Dê oportunidades para que a criança aumente sua autoestima. Ajude-a a reconhecer suas próprias forças. Diga a ela o quanto sua vida é importante e especial.

Proteger uma criança com necessidades especiais de ser mais uma vítima de bullying exige proatividade. Exige precaução. É importante trabalhar esse aspecto desde cedo, para que se construa um laço de confiança com ela que não quebre, mesmo que ela esteja recebendo ameaças. Além disso, as informações passadas na infância serão úteis por toda sua vida. Comece a instruir seu filho hoje!

Por Amanda Puly

 

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8 dicas para ensinar os filhos a se defenderem de crianças cruéis

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