Logo eu, que nem queria ter filhos…

*Por Indianara Miranda

Eu não tinha planos de ser mãe.

Nunca tive jeito com criança. Era sempre um cafunezinho e…tó aqui, que o filho é teu, amiga.

Me arrepiava quando me perguntavam: Não quer ter filhos? Já está com quase 30 hein? Minha resposta era sempre um sonoro NÃO.

Não me imaginava em casa nas noites de sábado vendo filme infantil, contando estórias, fazendo ninar.
Não me via aos domingos no parquinho, circo ou Zoológico.
Nunca fui fã de piquenique com a criançada ou de noites do pijama com as amiguinhas.

Achava o maior trampo ter que acordar mais cedo pra levar pro colégio primeiro e depois trabalhar e, após o trabalho, ir pra reunião de colégio tendo que desmarcar o happy-hour com as amigas.
Não teria paciência de ficar de táxi pro Ballet, pro clube, pra Natação, pro níver de um amigo.

Já sabia o trabalho que a vida de mãe dava, porque quando meu irmão caçula nasceu, eu já tinha 13 anos. Vi tudo de perto e nada daquilo me agradava.
Qual era a graça de viver cansada pela rotina corrida ou viver preocupada quando o filho ficava doente? Eu, hein! Este assunto de ‘crescei e multiplicai-vos’ não é pra mim não.
Queria cuidar de mim e ponto!

HÁ-HÁ-HÁ (Deus pensou!)

Bastou o descuido, pronto. Tava lá o resultado positivo.
Chorei, questionei, me senti idiota…mas não tinha outra saída a não ser me render aos infinitos enjôos e ao desconforto a medida que a barriga crescia. Também, não tinha segredo…eu já sabia como fazer, porque tinha observado e ajudado minha mãe com meu irmãozinho, certo? ERRADO!

Tããããããããão ingênua…

Pô, eu já sabia todas as respostas…mas a VIDA cancelou esta prova e me levou direto pra exame…e sem consulta!

Ah, meu amigo! Foi então que nasci como mãe e renasci como mulher!
Se antes eu me achava a rainha-da-cocada-preta, era porque não conhecia o futuro reservado.

Antes eu era EGOÍSTA, isso sim.

Deus me deu de presente minha maior e mais profunda transformação. Além do amor de mãe, pude sentir o amor além de qualquer condição. Pude ser capaz de desconstruir sonhos e reconstruí-los de acordo com nossa realidade.
Pude conhecer o Universo da deficiência tão a fundo, a ponto de me tornar co-terapeuta da minha filha em todas as áreas, mesmo não tendo nenhum conhecimento anterior. Aprendi na raça e na dor.

Pude me livrar de todos os meus medos. Até os que eram maiores do que eu como pegar pista a noite, sozinha, debaixo de chuva torrencial.

Neste Universo pude (re)conhecer centenas de amigas de alma. Nossos filhos foram capazes de nos proporcionar este (re)encontro. Estejamos certas de que nossa amizade vem de outras vidas.

Ana Laura veio como presente-transformador capaz de estreitar laços, redimensionar problemas, ressignificar sentimentos, transbordar amor, quadruplicar a fé!

Me doei, renunciei, mudei a direção, ajustei as velas, coloquei-a no barco e assim estamos até hoje. Pedimos a Deus que sopre sempre na melhor direção.

Hoje vejo fotos antigas e custo me lembrar quem eu era antes da Ana Laura. O que ocupava meus pensamentos? O que fazia meu coração acelerar? Não sei, não lembro!
Não sei nem mesmo se eu sabia o que era gratidão e empatia.

Aquela menina egoísta deu lugar a mulher que sou hoje. Continuo chorona, mas tão mais madura e experiente. Tão mais humana e preocupada com meu próximo.

Sou grata ao Criador pela brilhante ideia de me enviar Ana Laura. Assim pude perceber que não poderia passar por esta vida sem a experiência-mega-fantástica que é a da maternidade.

Ser mãe é SIM padecer no paraíso!

Filha, para sempre estaremos juntas, combinado?

Com amor, mamãe.

*Indianara é mãe da Ana Laura, hoje com 7 anos de idade – Perfil no facebook: Indianara Miranda

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