Autismo: a família também é terapeuta

Aos pais é dada a mais nobre das missões: educar a próxima geração. Eles são responsáveis por ensinar as primeiras palavras, a mastigar de boca fechada, a dizer ‘por favor’ e ‘obrigado’, a usar o vaso sanitário, etc.

Quando a criança nasce com alguma deficiência, os pais imediatamente precisam se adaptar às novas necessidades. Se o filho precisará de cadeira de rodas, toda a casa é adaptada para recebê-lo. Se o filho possui deficiência auditiva, a família trata logo de aprender libras ou outras formas de comunicação visual. Se o filho possui alguma alergia alimentar, o cardápio de toda a família sofre alterações. Por que então, quando uma criança recebe o diagnóstico de autismo, o tratamento é deixado apenas aos especialistas?

A criança com autismo deve ser ensinada a cumprimentar, comer adequadamente, se comunicar, demonstrar afeto e ser independente, como qualquer outra criança. A diferença é que ela precisará de muito mais tempo, muito mais amor e muito mais paciência. Precisará que os pais estejam preparados para ajudá-la.

Não estou descartando os terapeutas. De maneira nenhuma! Porém, as terapias indicadas para a criança não devem acontecer somente durante o período da consulta. O autismo afeta todas as áreas da vida da criança, logo o tratamento deve ser integral: ao acordar, fazer sua rotina, se alimentar, ir à escola, brincar, etc. Quanto mais os pais compreenderem e participarem do tratamento dessa criança, melhor será seu desenvolvimento. Isso quer dizer que, o tempo que a criança está fora da sala de terapia, os pais podem trabalhando com dicas direcionadas a cada problema pontual.

A comunicação, por exemplo, é uma das principais áreas afetadas pelo autismo. É preciso entender que a criança aprende a se comunicar durante as atividades cotidianas e que os pais têm muito mais oportunidades significativas de interagir com ela. O mesmo acontece com os comportamentos e interações sociais.

Para o autismo não há apenas uma receita. Por isso cabe à família descobrir qual a melhor abordagem para tratar seu filho. A casa, a rotina, o cardápio, a comunicação… tudo será adaptado para que a criança tenha mais qualidade de vida. E quando podemos enxergar o desenvolvimento acontecendo em nosso filho, todo o esforço dedicado a ele passa a valer a pena!

Por Amanda Puly

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