Sobre o autismo e as atividades do dia a dia

Aprender a vestir-se, comer sozinho e ir ao banheiro são alguns exemplos de atividades da vida diária fundamentais para que as pessoas sejam independentes e vivam em sociedade. Mas por que o domínio destas atividades é tão difícil para crianças dentro do espectro autista?

A maioria das crianças conquista sua autonomia apenas observando e imitando os adultos com os quais convive. As crianças com autismo precisam ser ensinadas, muitas vezes de maneira sistemática e intensiva, a executar as tarefas diárias, devido às características do transtorno, como o déficit de comunicação, a desregulação da atenção, a falta de coordenação motora, os problemas sensoriais e as dificuldades de compreensão das sutilezas sociais.

Isso quer dizer que adquirir as habilidades para as atividades cotidianas é muito mais difícil para quem tem autismo. É muito importante não forçar uma criança a aprender essas habilidades antes que ela esteja pronta, como também não deixá-la muito atrás de seus pares em termos de desenvolvimento. Adquirir a habilidade de escovar os dentes sozinha, por exemplo, exige que ela tenha controle das mãos, que consiga executar o movimento de pinça, que saiba cuspir, etc. Caso ela não esteja ainda preparada, é necessário trabalhar antes as competências que compõem essa habilidade.

Todo aprendizado deve ser feito de forma prazerosa e divertida, recompensando os sucessos. Cuidado para não demonstrar frustração!

Algumas dicas que podem ajudar:

Use apoios visuais

Lembre-se que as crianças no espectro autista aprendem melhor com informações visuais. Tente ilustrações simples que mostrem o passo a passo para as atividades, como calçar os sapatos, usar o banheiro, escovar os dentes, etc.

Motive o aprendizado

Use o lúdico para ensinar, torne as atividades agradáveis e divertidas. Compre escovas de dente de personagens, deixe a criança escolher suas peças de roupa preferidas, use musiquinhas no momento de calçar os sapatos ou tomar banho. Elogie os progressos, premie com beijos e abraços os acertos.

Não pule etapas!

Dê o apoio físico para que a criança execute as atividades em partes até que ela tenha autonomia para executar completamente sozinha. Por exemplo, coloque as calças nos pés e deixe que ela erga sozinha, ou também coloque os alimentos na colher e deixe apenas que ela conduza até a boca sozinha. O tempo de progresso varia para cada atividade e cada criança, por isso tenha paciência caso ela demore a entender todo o processo.

Seja objetivo

Dê instruções verbais bem objetivas do que a criança precisa fazer: “segure o sabonete, esfregue nos pés” ou “mastigue devagar, deixe a boquinha fechada”.

Seja paciente

A criança irá demorar nas primeiras vezes, irá vestir os sapatos trocados, não escovará os dentes da maneira correta, nem comerá tudo que está no prato. Tenha aquela dose extra paciência, deixe-a tentar a seu tempo. Se ela vestiu a camiseta ao contrário, deixe-a tentar, mostre onde está o erro e ajude-a a arrumar. Não adianta ter pressa, nem querer que tudo aconteça com a mesma velocidade que o primo ou o amiguinho da escola. Cada criança tem seu tempo!

Trabalhar individualmente as habilidades exigidas em cada atividade até que a criança consiga executar todo o conjunto completamente sozinha é muito mais eficaz. Combinar todas as dicas que descrevemos ajudará a criança a desenvolver autonomia e independência. Além disso, não deixe de fazer uma avaliação profissional! Um bom terapeuta ocupacional pode ajudar no desenvolvimento de todas essas atividades!

Por Amanda Puly

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