Como realmente é conviver com TDAH

Muitos acreditam que o TDAH não existe, que é apenas uma desculpa para a falta de disciplina de algumas crianças.

Se você procurar no Google, verá que TDAH significa Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, e que é caracterizado pela desatenção, impulsividade e agitação.

Na escola, alguns professores querem ajudar, enquanto outros preferem manter distância.

Mas o melhor lugar para aprender e entender o significa conviver com esse transtorno é dentro da casa de uma família que convive com ele.

Quando meu filho era menor, sempre me perguntava como as outras mães conseguiam sair com seus filhos, já que para mim sempre foi muito difícil… Desde bebê, meu filho não conseguia ficar sentado nem só um pouquinho, esperar em uma fila, brincar sem quebrar nada ou fazer um passeio tranquilamente.

Meu filho acorda pela manhã e logo salta da cama com seus grandes olhos arregalados, pronto para correr uma maratona. Ele passa seu dia em plena atividade, a 1.000 km/h.

Ele não sabe esperar. Precisa ocupar cada milésimo de segundo do seu tempo com alguma atividade ou movimento. Se ele ficar sem algo para fazer, vai imitar sons, ruídos, assobiar, cantar, batucar…

Todos os dias, sem exceção, preciso lembrá-lo de escovar os dentes, arrumar sua cama, limpar as orelhas, desligar o chuveiro, fazer os deveres de casa (que são também verdadeiras batalhas!). É claro que já criei rotinas, lembretes e listas para que ele consiga se organizar em tudo de maneira independente. Mas isso só funciona por um tempo, até que ele se acostume visualmente com os lembretes e recadinhos.

Nas reuniões da escola, estou sempre por fora do que está acontecendo. Os bilhetes estão sempre amassados na mochila e a agenda, vazia. Preciso vigiar, estar atenta e perguntar várias vezes se não tem nenhum recado. Ele já foi para a aula sem caderno, sem estojo e até sem a mochila!

Já perdi a paciência muitas vezes. Muitas. E me culpo quando isso acontece. Tenho aprendido a moderar o tom de voz, elogiar mais, encorajar mais… É tudo questão de treino!

Conviver com alguém que tenha TDAH é uma loucura diária, com muitos risos, mal entendidos, surpresas boas e ruins, uma imaginação gigantesca e abraços apertados. Tenho aprendido a recomeçar, a perseverar, a ser mais paciente, a buscar o equilíbrio, a compreender. O trabalho é dobrado (com certeza), mas vale a pena cada segundo!

Por Amanda Puly

Veja também:

Como os pais podem ajudar a criança com TDAH?

Como diferenciar se a criança é agitada ou hiperativa?

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