Por que a mudança é um problema para crianças com autismo?

A mudança é difícil para a maioria das pessoas, incluindo os adultos mais organizados e otimistas. É comum as pessoas adquirirem hábitos e se apegarem a eles. Pense como às vezes é difícil para você mudar a marca de algum produto que consome, ou então frequentar lugares diferentes dos de costume. Pode ser estressante! No entanto, as mudanças fazem parte da vida. Com o tempo, nós aprendemos a lidar com as transições em nossa vida, mas para as crianças é um ainda um aprendizado. Então, ir embora do parquinho, guardar os brinquedos para ir jantar, ou algo mais grandioso como trocar de escola, geralmente desencadeiam resistência, frustrações e até birras.

Para crianças dentro do espectro do autismo, pode ser ainda mais difícil lidar com as mudanças. O mundo para elas é algo confuso, que ainda estão aprendendo a entender. Logo, tudo aquilo que é uniforme e previsível é mais confortável. Mudanças de rotina não são somente difíceis, são como tirar totalmente aquilo em que elas se sustentam.

Tudo aquilo que é feito de maneira ordenada e previsível é muito mais aceito para as crianças com autismo. Mas a vida é uma mudança constante, então precisamos ajudar essas crianças a lidar com as transições também:

  1. Crie rotinas. Essa é uma dica básica para quem tem uma criança com autismo. A rotina sempre ajudará em várias ocasiões, como tomar banho, alimentar-se, dormir, ir à escola, etc. É a premissa básica para que o cotidiano da criança esteja estruturado e funcione.
  2. Dê dicas visuais. Todas as rotinas, especialmente aquelas em que a criança tem mais dificuldade, devem estar visíveis em casa e na escola. Manter calendários e quadros com sequências que podem ser alteradas é a melhor forma de fazer com que a criança compreenda aquilo que já aconteceu e o que se espera que ela faça.
  3. Ofereça previsibilidade. O quadro de rotinas é muito útil para oferecer previsibilidade. Quando a criança está acostumada a visualizar o que irá acontecer, é muito mais fácil colocar algo diferente para que ela visualize em seu dia.
  4. Use a contagem regressiva. Mais uma vez, dê preferencia para demonstrar visualmente algo que irá acontecer. Se for algo que acontecerá dentro de alguns dias, como o dia de cortar o cabelo ou um casamento, por exemplo, demonstre visualmente dia a dia em um calendário. Vá riscando os dias e mostrando o quando falta até a data do acontecimento. Se for uma mudança no dia, coloque uma foto ou imagem no quadro de rotina. Se for algo ainda mais próximo, como ir embora do parquinho, mostre em um cronômetro 10 minutos antes, depois 5 minutos, depois 2 e 1, até que chegue o horário. Sempre envolva a criança neste processo.
  5. Use recompensas. Ofereça o reforço positivo sempre que a criança se comportar adequadamente diante de uma transição. Lembrando que o reforço positivo não é necessariamente algo material, pode ser simplesmente um abraço ou elogio.
  6. Quebre a rotina de vez em quando. Não faça sempre o mesmo caminho para a escola, mude objetos de lugar em casa, assista outros canais de televisão, ensine a brincar de outras formas com o mesmo brinquedo, etc. É claro que não tudo no mesmo dia, mas é importante colocar essas pequenas mudanças no dia a dia, gradativamente.

E se mesmo assim a criança reagir de forma inesperada?

Dê tempo e espaço para que ela se tranquilize. Mantenha a calma, para poder transmitir isso a ela. Respeite sua frustração, mas mantenha-se firme em seu propósito. Sua reação definirá como ela se comportará diante das próximas mudanças. Ser consistente e exercitar diariamente fará com que as práticas se tornem hábitos.

Essas são apenas algumas sugestões de como pais e professores podem ajudar as crianças com autismo a encarar as mudanças. As sugestões devem ser experimentadas, mas cada criança reagirá de forma diferente. O tempo de adaptação também é diferente em cada uma, por isso é importante estar atento ao comportamento de cada uma em particular.

Por Amanda Puly

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1 Comentário

  • Posted 22 de March de 2017

    Claudete Ramos

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