Crianças não nascem odiando seus corpos

Recentemente conheci a mãe de uma linda menininha de cinco anos de idade. Pudemos conversar poucas vezes, mas em todos os nossos encontros, a mãe se queixava do quanto sua filha era grande. Trata-se de uma criança linda, perfeitamente normal, um pouco mais alta que os amiguinhos. Nada além disso. E então fico imaginando o poder de influência que esta mãe tem sobre a construção da autoestima de sua filha.

Por que crianças crescem odiando seus corpos?

A sociedade criou um esterótipo de corpo perfeito que influencia a grande maioria das pessoas. O que iremos comer, que roupas devemos vestir, o estilo de vida que iremos levar… tudo é influenciado pelo que vemos na televisão, revistas e internet.

A formação da imagem de um corpo ideal na mente das crianças é também formada (além de todas essas influências externas) pelo que presenciam em casa, no seu dia a dia. Mães que reclamam que têm pernas muito finas ou muito grossas, que precisam estar com a pele e os cabelos impecáveis, que são obcecadas por dietas ou que estão sempre precisando fazer novas cirurgias estéticas. As crianças absorvem muito rapidamente aquilo que vivenciam. Pense quantas vezes você já reclamou de uma roupa que marcava alguma parte do corpo, ou quantas vezes já fez críticas sobre a aparência de alguém na rua ou na televisão.

Além disso, as palavras proferidas diretamente aos filhos têm alto poder de influência na formação de sua autoimagem. Dizer repetidas vezes que o filho está gordo, que é nanico, que seu cabelo é muito difícil de arrumar… Aqui ainda estou sendo sutil, porque com certeza já ouvimos palavras muito mais agressivas sendo direcionadas às crianças. Não estou dizendo que não devemos ensinar nossos filhos a ter uma alimentação saudável, fazer exercícios, ou cuidar do corpo, mas devemos ter cuidado com nossas palavras, para que possam aprender a desenvolver o amor próprio.

Crianças que aprendem a odiar seus corpos são mais propensas a desenvolver distúrbios alimentares (como anorexia e bulimia) e até depressão.

A boa notícia é que formar a autoimagem de uma criança, que ainda está construindo suas opiniões e seus conceitos, é mais fácil do que mudar a opinião de um adulto. Como?

  • Elimine imediatamente as palavras ofensivas!
  • Assista televisão junto com as crianças. E explique como são os bastidores para que aquela imagem apareça na TV, que a vida real é bem diferente.
  • Mostre que apenas a boa aparência não traz felicidade. Existem por aí muitos exemplos de pessoas vistas como padrão de beleza que estão envolvidas com drogas, divórcios e até suicídios. Assim como há muitos casos de pessoas muito bem sucedidas que não vivem de aparências.
  • Não critique seu próprio corpo. Ame-o e seja o exemplo. Vá à praia, coma a sobremesa, reclame menos.
  • Cuidado com críticas a outras pessoas. Seu filho está atento a tudo que você diz, então trate sempre as diferenças de maneira respeitosa.
  • Ensine seu filho a pensar positivamente a respeito de si mesmo. Faça elogios verdadeiros. Valorize suas qualidades.
  • Atenção aos meninos também! Não é só a imagem do homem alto e forte que deve ser valorizada!
  • Seja o apoio que seus filhos precisam para aprender a sentir-se bem sobre si mesmos.

É mais fácil formar sua personalidade sem considerar os padrões criados pela mídia, quando temos uma opinião formada, uma boa base. Além disso, comentários e julgamentos de outras pessoas perdem sua relevância quando a autoestima e o amor próprio têm raízes mais profundas.

Por Amanda Puly

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