O problema não é o autismo

As causas do autismo podem ser muitas. Os sintomas do autismo são muitos. As consequências do autismo também são muitas.

Eu tenho um filho com autismo, o que me fez aprender muito sobre o assunto. Sei o tamanho do impacto que o autismo causa em uma família, em um relacionamento, na educação e na saúde de uma criança, e toda a vida não só de quem tem o transtorno, mas de quem convive também.

O problema é quem não convive, quem não conhece.

Não é necessário “lapidar” uma criança com autismo para que ela se comporte de uma maneira que é considerada normal. Muitos buscam a cura, mas não é isso que o autismo precisa. Ele precisa de aceitação, de compreensão. Precisa da propagação do conhecimento, de informações claras, de menos julgamentos.

Vemos a criança desde muito cedo aprendendo a se adaptar, se enquadrando em um conjunto de características que são consideradas “adequadas”. E o respeito à individualidade e às diferenças? A sociedade precisa de aparências, então não importa se você estiver podre por dentro, o importante é que seus comportamentos estejam adequados.

Mães e pais de autistas ouvem comentários de pessoas que desconhecem, qualquer um pode ouvir. Olhares de reprovação que escancaram VOCÊ PRECISA DISCIPLINAR SEU FILHO! Isso é só um desabafo, porque às vezes cansamos de explicar e nos justificar.

O problema não é achar as causas ou a cura para o autismo. O problema é a falta de apoio e de aceitação do que é diferente. O autismo é uma condição, uma visão diferente do mundo, uma outra forma de sentir, experimentar e expressar. Com certeza, ainda temos muito a aprender…

Por Amanda Puly

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