Deficiência: limitação ou superação?

Por Antonia Ivanete Bezerra*

“Luisa e a arte de vencer desafios” – esse titulo é o nome da segunda exposição de Luisa, que aconteceu no mês de maio (2016), em um teatro de Salvador. Foram expostos 45 quadros e quase todos vendidos.

Luisa é uma criança muito alegre e carismática, que cativa as pessoas onde quer que vá. Ela nasceu com uma síndrome rara, chamada Artrogripose Múltipla Congênita (AMC). É uma doença que causa enrijecimento das articulações das mãos, pés, cotovelos, joelhos e, em alguns casos, o quadril. Porém desde cedo, percebemos como ela era inteligente e que as articulações não seriam um empecilho para seu desenvolvimento. Com um ano e meio, demonstrou grande interesse por cores, tintas, canetinhas e afins, e logo aprendeu todas as cores. Aos dois anos já começou a pintar algumas telas e ficava a cada dia mais inteligente.

Luisa foi para escola aos 3 anos de idade. Nessa idade já conhecia e fazia todo o alfabeto minúsculo (cursivo), já escrevia seu nome completo e o de todos de casa. Eu sempre a estimulei, pois ela sempre demonstrou interesse em aprender. Rapidamente começou a ler e hoje ela pode ler perfeitamente, como gente grande! A letra também é um primor. Sempre fiz questão de incluí-la em tudo, nunca a privei de participar de coisa alguma, a não ser que ela não queira.

Já pintou mais de 120 quadros. Na primeira exposição ela tinha 4 anos de idade. Eram 40 quadros e foram todos vendidos no mesmo dia. Ela adora cantar e memoriza as letras das músicas! Agora vai ser vocalista de uma banda, onde todos os integrantes têm algum tipo de deficiência (Oz Normais). Ela também adora dançar. Está há três semanas fazendo aula no Sarah Salvador (hospital) e a professora já a convidou para fazer uma apresentação no final deste mês em um teatro aqui de Salvador.

luisaEu sou a avó de Luisa e sua mãe de criação. Fiz uma mudança radical na minha vida, inclusive tive parei de trabalhar para me dedicar a ela. Mas faria tudo de novo. Amo demais! Há muitas dificuldades a serem vencidas, porém prefiro visualizar as vitórias, que tenho certeza que virão. Acredito que tudo acontecerá no momento certo. Soubemos da síndrome só quando ela nasceu. O primeiro impacto é um choque, que rapidamente troquei pelo amor incondicional. Nunca perguntei: ‘Meu Deus, por quê?’ e sim para quê. Acredito que somos nós que fazemos as pessoas nos olharem com respeito e admiração. Desde muito cedo sempre exaltei a auto estima em Luisa. Ela sempre repete que é linda e maravilhosa e que pode tudo do jeito dela. Sempre acreditei nela, é o orgulho da minha vida!

*Antonia é leitora do Clube, mãe e avó da Luisa. Mora em Salvador/BA e foi convidada especialmente para partilhar sua história exemplar!

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