Meu irmão tem autismo!

Uma criança pode notar que tem um irmão diferente desde muito cedo, mesmo que não saiba exatamente o que há de errado. É muito importante que os pais estejam preparados para responder com honestidade a todos os questionamentos que virão com o tempo. Pode ser que ele se sinta menos importante ou menos amado, triste, com ciúmes, frustrado, confuso… e precisamos saber lidar com todos esses sentimentos.

Seja gentil ao dizer que o irmão não faz de propósito para tentar prejudicá-lo, que ele precisa de ajuda em coisas que as outras crianças conseguem fazer sozinhas. Mas que isso não significa que um filho seja mais importante ou mais amado que o outro.

Quando falamos sobre o autismo a outras crianças que não são do seu convívio diário, não são necessárias muitas explicações. Falamos sobre isso em Como explicar o autismo às outras crianças? (é só clicar no link para rever). Mas quando se trata de um irmão, é interessante explicar as diferenças aos poucos, de acordo com o seu entendimento e idade:

  • O autismo é uma deficiência que irá melhorar com o tempo, mas nunca irá desaparecer.
  • A comunicação é uma área afetada, então você pode dizer: “Seu irmão tem dificuldades em falar o que quer e o que sente.” E também: “Fale as palavras devagar, para que ele entenda melhor.”
  • As habilidades sociais são comprometidas. Isso você pode explicar assim: “Seu irmão não tem tanta facilidade para fazer amigos como você. Que tal ajudá-lo?” e também: “Ele não sabe como se comportar em alguns momentos, você me ajuda a mostrar para ele?”
  • Ele tem dificuldades para compreender os sentimentos e pensamentos dos outros. Você pode dizer: “Ele pode não perceber quando você está bravo ou chateado, mas isso não significa que não se preocupe com você ou não te ame.”
  • Ele pode não ter muito cuidado com brinquedos ou pertences alheios, porque não entende o valor que têm ou não sabe que está fazendo algo errado. Convide seu filho a ensinar-lhe a maneira mais adequada de brincar ou cuidar das coisas.
  • Peça paciência. Às vezes, única coisa que uma criança com autismo precisa é um pouco de espaço. Explique ao seu filho que ficar um tempo sozinho lhe fará muito bem!

É claro que não precisamos passar uma lista de recomendações em um dia só. Explicar as diferenças de comportamento nas vivências do dia a dia é muito mais fácil! Além do mais, quando as crianças aprendem a conviver com as diferenças, tornam-se muito mais tolerantes. Será com certeza um privilégio, como tem sido aqui em casa!

Sabe o que meu filho mais velho disse? “Eu não vejo mais nada do autismo no meu irmão”. Isso é a inclusão de verdade: não enxergar a deficiência e sim a pessoa que está à frente dela.

Por Amanda Puly

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