Ter brinquedos X brincar

O primeiro contato que as crianças têm com o conhecimento, com as descobertas, com o mundo como um todo, é através dos brinquedos. Eles são os blocos de construção da sua personalidade e seu futuro. Sabendo disso, os pais buscam oferecer o máximo de opções que estimule o desenvolvimento de seus filhos. Até aí tudo bem! Mas recentemente me dei conta de que meus filhos não têm nenhum brinquedo que tenha marcado a infância, como eu tive quando criança. Parece um amontoado de muita coisa.

Chega um momento em que um armário de brinquedos não é suficiente, que a criança prefere guardar suas coleções para não estragar ou sujar, que nem as crianças nem os pais dão conta de guardar tanto cacareco. Na loja de brinquedos, é difícil encontrar algo que a criança não tenha.

Separar uma grande sacolada para doação pode ser muito benéfico, não só para quem receberá, mas também para a criança que está desapegando. Veja alguns motivos:

  • A criança dará mais valor ao que possui. É importante que ela não tenha tudo o que quer. E que aprenda a cuidar do pouco que tem. Saber quanto custou, o quando é difícil conquistar algo novo, aprender a fazer bem suas escolhas, já que não poderá ganhar brinquedos novos todos os dias.
  • A criatividade floresce! É possível brincar de muitas formas com o mesmo brinquedo. Reaproveitar, inventar histórias, explorar ao máximo, imaginar.
  • As habilidades sociais melhoram. Crianças com menos brinquedos se vêem obrigadas a desenvolver relações interpessoais com outras crianças ou com os adultos à sua volta.
  • Haverá menos desperdício. Não só dos brinquedos, mas de coisas que podem se tornar brinquedos. Caixas de papelão, garrafas pet, rolinhos de papel higiênico. Tudo vira brinquedo!
  • Menos egoísmo, mais compartilhamento. Para a brincadeira ficar interessante, temos que dividir as opções que temos, certo?
  • O contato com a natureza aumenta. A exploração, as descobertas, as invenções…
  • Mais atividades físicas. E consequentemente crianças mais saudáveis e felizes!

Não me tornei contra os brinquedos, mas percebi que é importante limitá-los. As crianças precisam ser incentivadas a descobrir a alegria em coisas que o dinheiro não compra. E redescobrir a infância!

Por Amanda Puly

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