O poder do livre brincar

A infância passa rápido. E acaba, não tem volta! Quais as recordações que nós, pais e gerações anteriores, temos da infância? Com certeza, o tempo dedicado à imaginação, exploração e criatividade era muito maior do que as crianças têm hoje. Deixar a imaginação fluir livremente com os carrinhos e as bonecas ou jogar bola com regras inventadas parecem brincadeiras de um outro tempo… Mas o que mudou daquela época?

Um dos grandes erros que nós pais cometemos hoje é deixá-los com agenda de adulto. Rotina cheia de compromissos, inclusive nos finais de semana. Alguns pais querem dar a oportunidade que não tiveram, preparar para o futuro ou apenas têm a intenção de proteger. E no tempo que sobra para as brincadeiras, os adultos estão geralmente no comando. Mas e as brincadeiras livres, cheias de invenções e descobertas? Lugar de criança definitivamente não é em frente à televisão, computador, tablet ou celular.

Outro problema que tenho observado é na pré escola (Educação Infantil), onde a maior parte do tempo é dedicada ao conteúdo. Conhecer letras, números, conceitos. Embora isso seja importante, será que aos 4 anos as crianças realmente precisam iniciar a pré alfabetização? E as brincadeiras em grupo, o convívio social, os esportes, as brincadeiras de roda? Não deveriam ser essas as prioridades? Tenho observado isso desde que meu filho mais novo ingressou na escolinha, há 3 anos.

Mas qual a importância disso tudo?

O livre brincar nada mais é do que deixar a criança assumir seu tempo livre, usando sua espontaneidade e criatividade para direcionar as brincadeiras. Deixar que a criança brinque livremente é dar oportunidade para:

  • descobrir seus interesses, sua personalidade, sua identidade;
  • desenvolver autonomia;
  • aprender a tomar decisões e fazer escolhas;
  • conhecer a relação de responsabilidade e confiança;
  • fazer amizades, aprender a se relacionar, conviver;
  • usar a imaginação e desenvolver a criatividade;
  • pedir ajuda e cooperar.

As crianças se desenvolvem e aprendem enquanto brincam. A longo prazo, se dermos oportunidade ao livre brincar, teremos crianças (e adultos) mais sociáveis, independentes, com pensamento crítico e maior capacidade de resolver problemas. Além disso, as crianças crescem mais felizes, com menos chances de desenvolver problemas psicológicos (como a ansiedade e a depressão). É só deixá-las livres, instintivamente estarão no comando – das brincadeiras e do seu desenvolvimento.

Por Amanda Puly

Artigos Relacionados

Responder