Sobre autismo e a difícil missão de ensinar limites

Crianças com autismo, em geral, apresentam dificuldades na compreensão verbal, não entendem regras sociais, não compreendem a lógica do outro e se têm vontade de fazer algo, não entendem porque precisam abrir mão disso. Por esse motivo, muitas dessas crianças são rotuladas de mal educadas. Ensinar-lhes regras é muito difícil! Mas isso não significa que não devemos impor limites…

Dá muito trabalho, exige muito dos pais. É preciso dizer muitas vezes a mesma coisa, treinar repetidas vezes, manter a postura, explicar a mesma regra de maneiras diferentes, até encontrar a forma que a criança compreenda melhor.

Escrever, desenhar, manter as regras na parede do quarto, propor trocas, fazer combinados, fazê-los experimentar a frustração. Cada pai descobre a melhor maneira de ensinar seu filho. O mais importante é se antecipar, não esperar eventos cheios de estímulos ou de outras crianças para então começar o processo de educar. As regras e limites devem ser ensinados diariamente, sempre oferecendo previsibilidade.

Algumas ideias que podem auxiliar:

  • Ensinar-lhe a expressar seus sentimentos, seja de forma verbal, através de figuras, escrita, desenhando… Seja qual for a forma que a criança se comunique, ela precisa aprender a demonstrar o que está sentindo, para que não precise se expressar através de gritos ou outros comportamentos inadequados.
  • Seja sucinto e objetivo, evite longos sermões. Use frases curtas.
  • Mantenha regrinhas básicas, como não chorar sem motivo, não bater e não gritar, em um local que esteja sempre visível e onde você possa mostrar-lhe oportunamente.
  • Utilize menos o “não” e mais o que a criança deve fazer. Por exemplo, ao invés de dizer-lhe para não ficar em pé, prefira “Fique sentado” ou também ao invés de dizer-lhe “Não pise na grama“, prefira “Fique na calçada“. O “não” abre muitas possibilidades do que efetivamente pode ser feito.
  • Tenha um plano B em mente. Se não tiver, pense rápido em um. Não deixe que a criança fique alimentando um desejo que não poderá ser atendido. Imediatamente, ofereça-lhe outra ideia. Por exemplo, se ela quer muito um brinquedo que não poderá ter, use sua criatividade para tirar esse foco da cabeça e distrair-se rapidamente com outra coisa. Quando saírem de casa, tenha na bolsa aquele brinquedo coringa, capaz de segurar a atenção da criança em uma situação inesperada.
  • Quando disser não, mantenha sua palavra. Se você muda seu ponto de vista só porque a criança está berrando, ela automaticamente aprenderá que é desta forma que deverá agir das próximas vezes que desejar algo.
  • Mantenha uma rotina diária e sempre que houver mudanças, avise com antecedência. Se você já sabe que irá em uma consulta, por exemplo, e terá de esperar um período do longo, avise a criança com antecedência. E leve atividades que você já sabe que a manterão entretida durante a espera.

BIRRAS X CRISES NERVOSAS

É muito importante aprender a diferenciar uma crise nervosa (meltdown) de uma birra. Já falamos sobre esses dois temas aqui e ambos devem ser tratados de maneiras diferentes.

A birra acontece quando a criança tenta manipular o adulto para conseguir o que quer. Uma vez que ela ganhe no grito, mais difícil será de fazê-la obedecer nas vezes seguintes.

Já a crise nervosa (colapso) acontece quando há um acúmulo de sensações ruins na criança, uma frustração ou um grau de estresse muito alto, ou ainda, tudo isso junto. Se quiser saber mais sobre as crises nervosas, clique aqui.

Mas o que esses dois comportamentos têm em comum? Devem ser tratados antes que aconteçam. Devem ser evitados. Sempre oferecendo previsibilidade, alertando com antecedência a regra que a criança deverá seguir. Não podemos esquecer que as crianças se tornarão adultos e também precisarão aprender a conviver em sociedade. O hábito faz com que fiquem menos resistentes aos limites. Mas é preciso perseverar!

Por Amanda Puly

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1 Comentário

  • Posted 5 days ago

    Lília fernanda

    Quero receber mais infos

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