Autismo leve ou coisa de criança?

Alguns sintomas do autismo podem ser confundidos facilmente com com características comuns nas crianças: agitação, gostar de brincar sozinha, assistir sempre os mesmos desenhos, falar sozinha, ter amigos imaginários, teimosia, birras, etc.

Se o grau de autismo é mais grave, fica fácil identificar os sintomas e, consequentemente, o diagnóstico é mais rápido. Mas como então identificar o autismo leve? Um diagnóstico tardio pode prejudicar muito o tratamento adequado e agravar o quadro…

É necessário estar atento quando essas características tão sutis prejudicam de alguma forma o desenvolvimento da criança. Não há problema algum em gostar de brincar sozinho se a criança interagir normalmente em outros momentos, se comunicar, gostar também das atividades em grupo. Também não há problemas em ver sempre o mesmo desenho, se ela tiver outros interesses e gostar de compartilhar suas experiências.

A atenção deve se voltar aos casos onde há prejuízo no desenvolvimento social da criança. Aí é preciso contar com a sorte de encontrar os profissionais certos. Eu mesma já ouvi que era muito cedo para me preocupar e que poderia esperar mais alguns anos (!) para ver se meu filho aprenderia a ter os mesmos interesses das outras crianças. Se alguém ouvir uma orientação como esta, procure outro profissional imediatamente!

Uma avaliação bem feita envolve ouvir os pais, investigar a família, o histórico da criança desde a gestação e uma cuidadosa observação dos comportamentos da criança.

Não olhar nos olhos, fazer movimentos repetitivos, não se comunicar, preferir estar sozinho são características comuns no autismo. Mas existem outros comportamentos que devemos estar atentos que podem ajudar a identificar o autismo precocemente:

 

  • O bebê que não procura pela mãe com os olhinhos, que não faz contato visual durante a amamentação, que não estende os bracinhos para pedir colo.
  • A criança que puxa os pais pelo braço para demonstrar o que quer.
  • Quando parece não perceber o perigo, colocando-se em situações de risco (como subir em lugares altos ou muito fechados).
  • Quando passa por outras crianças sem notá-las, como se fossem “coisas”.
  • Quando apresenta dificuldades na compreensão de ordens simples, como “Olhe para cima“, “Venha até aqui“, “Traga para mim“.
  • Quando repete falas de desenhos em momentos inapropriados.
  • Quando repete a última palavra do que foi lhe dito, sem compreender o que ouviu.
  • Quando não gosta de ouvir histórias, tem dificuldade em imaginar.
  • Quando não entende ironia, parece não ter maldade. Não sabe mentir ou disfarçar.
  • Quando fica muito perturbada com mudanças na rotina.
  • Quando se incomoda com cheiros, toques, etiquetas, barulhos, etc.
  • A criança que aprende a ler sozinha, antes fase de alfabetização (hiperlexia).

Estar atento a estes sinais é possibilitar o diagnóstico precoce, que permitirá o tratamento adequado o mais cedo possível, dando possibilidades de a criança se desenvolver com maior qualidade de vida.

Por Amanda Puly

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1 Comentário

  • Posted 11 de March de 2016

    Sandra Nascimento

    Muito bom saber que pessoas se aprofundam no assunto que nem todas as pessoas percebem. Minha filha Letícia tem 3 anos e foi diagnosticada no segundo semestre de 2015 com TEA. Fiquei curiosa e incomodada com o comportamento dela, não olhar quando chamamos, em demorar a se comunicar, e etc. Fui a duas neoropediatras e uma delas disse que só precisava me preocupar depois dos 4 anos e que ela não tinha nada. Não satisfeita procurei outra. Então essa foi mais além, pediu exames auditivos, ressonância de crânio para descartar problemas neurológicos e foi ai que ela depois de muitas perguntas sobre ela e nós que fechou o diagnóstico de TEA. Agora ela está na escola e sendo acompanhada por terapia ocupacional, psicóloga e fonaudiologa. Letícia tem um grau leve. Pais pesquisem, sejam curiosos, procurem vários especialistas. Pesquisei muito sobre o assunto e obsevei muito o comportamento dela. Um abraço e Deus abençoe a todos.

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