A inclusão de autistas no ensino regular

Já sabemos que incluir não é o mesmo que colocar junto. Quando colocamos um aluno com autismo no ensino regular, sem que a escola esteja preparada para recebê-lo, o que acontece na maioria das vezes é exatamente o oposto: a exclusão. Mas então o que uma escola precisa ter, na prática, para ser inclusiva?

  • Ter o diagnóstico da criança, conhecer suas habilidades e limitações. É obrigação dos pais fornecer essas informações à escola, para que se desenvolva um trabalho mais efetivo.
  • Oferecer aos professores – e demais profissionais que irão trabalhar com ela durante o ano letivo – treinamento específico para que conheçam sobre o autismo.
  • Manter contato com os profissionais que atendem a criança. A maioria dos terapeutas, psicólogos e psicopedagogos se disponibilizam a fazer visitas na escola ou se comunicar de alguma forma. Essa parceria é muito importante para que se tenha conhecimento das reais capacidades e dificuldades do aluno. O espectro autista é muito amplo, então o conjunto de sintomas de uma criança com autismo pode ser diferente das demais dentro do mesmo espectro.
  • Manter a turma com o número de crianças reduzido, para que o professor consiga dispensar a atenção necessária ao aluno especial.
  • Conhecer a forma como a criança se comunica e seu grau de compreensão. Algumas não falam, algumas utilizam a troca de figuras (PECS), algumas tem dificuldade na compreensão verbal, etc.
  • Disponibilizar a rotina diária da criança através de dicas visuais, conforme seu entendimento: através de imagens, fotos, escrita ou agenda. Essa rotina deve ser montada diariamente quando a criança chega na escola, para que ela se organize e fique segura do começo, duração e término de cada atividade.
  • Utilizar o reforço positivo sempre que a criança concluir uma etapa/atividade ou se comportar adequadamente. O reforço positivo varia de acordo com cada criança e cada situação. Pode ser um carimbo, figurinha ou apenas um elogio. Pode-se também utilizar um quadro de registro dos reforços positivos.
  • Deixar os combinados da turma (regrinhas) bem visíveis e sucintos, para que possam ser lembrados em momentos oportunos.
  • Algumas crianças com dificuldades maiores necessitam de um tutor (ou acompanhante terapêutico). É um direito da criança com necessidade especial e deve ser utilizado temporariamente, até que a criança tenha autonomia para continuar de maneira independente.

Quero deixar claro que, apesar de todas as crianças terem direito à inclusão no ensino regular, nem todas terão indicação para frequentá-lo. Para algumas é indicada a escola especial, como quando seu cognitivo está muito comprometido ou quando são muito agressivas, por exemplo.

 

O fato é que a convivência entre crianças neurotípicas e crianças autistas é benéfica para os dois lados: além do desenvolvimento global que essa proximidade proporciona aos autistas, permite a formação de crianças (e futuramente uma sociedade) mais conscientes à respeito das diferenças.

Por Amanda Puly

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2 Comentários

  • Posted 22 de Fevruary de 2016

    Beatriz Almeida

    Olá! Gostaria que publicasse dicas e informações sobre o período de adaptação escolar para crianças autistas. Tenho um filho de 3 anos que está iniciando sua fase escolar em uma escola regular. Confesso que estou muito perdida, e a escola não tem experiência com inclusão. Não sei por quanto tempo precisarei acompanhá -lo. Deixo eke chorando até se adaptar sem mim? Enfim, gostaria que publicasse sua experiência ou de outras mães que já tenyam compartilhado essa informação contigo. Obrigada

    • Posted 22 de Fevruary de 2016
      Amanda Puly

      Amanda Puly

      Olá Beatriz! Eu demorei um ano adaptando meu filho na escola, indo junto com ele, frequentando a sala de aula. Um ano inteiro. Mas eu ainda não tinha o diagnóstico de autismo, não fazia ideia do por quê. Fui obter o diagnóstico e entender o que estava acontecendo quando o ano terminou. Os próximos foram muito mais fáceis.
      Eu vou te indicar duas publicações que fiz recentemente que acredito que serão muito úteis:
      Inclusão escolar de autistas: o papel do professor
      Autismo: preparando-se para a volta às aulas
      Pode clicar nos links para abrir os artigos.
      Mas a adaptação dele dependerá essencialmente da dedicação e do interesse do professor. Deixar chorando não acho que seja a melhor opção, ele precisa gostar da escola.
      Um beijo! Depois volte para contar-nos como foi!

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