Autismo: Vamos falar de comunicação?

A comunicação, verbal ou não, é a forma que o ser humano se expressa e interage com os demais. Sabemos que esta é uma das áreas mais afetadas em pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Existem alguns sinais que podemos observar nas crianças de que algo não vai bem. São indícios de TEA, ao quais devemos estar atentos:

  • ausência ou atraso na fala
  • fala rebuscada ou “robotizada”
  • dificuldade na compreensão verbal
  • presença de ecolalias (repetição da fala de outras pessoas)
  • ausência de entendimento de piadas, sarcasmo, duplo sentido
  • ausência de simbolismo (imaginação)

Ao contrário do que parece, ser antissocial ou não ter empatia não são características do autismo. São, na verdade, consequências da dificuldade em se comunicar. A dificuldade em compreender e comunicar faz com que a criança se distancie das outras pessoas. A intervenção deve iniciar o quanto antes, pois quanto mais nova a criança for, mais fácil será de trabalhar suas percepções.

A família pode ajudar!

Existem atividades e brincadeiras que podem ser feitas pelas pessoas de convívio da criança, para que ela desenvolva a comunicação verbal. Algumas sugestões:

  • Associar a imagens – O cérebro autista entende melhor quando associamos o que falamos a imagens. A mãe, o pai e/ou as pessoas que convivem mais com a criança devem se tornar verdadeiros “tagarelas”. Verbalize tudo, mas sempre usando expressões simples e objetivas. Por exemplo: “Vamos jogar bola“, repita BOLA, apontando para a bola. E assim com tudo que fizer com a criança. Outro exemplo: “Quer um biscoito?“, repita BISCOITO, apontando para ele. Associar a fala à imagens ou ao próprio objeto faz com que a criança memorize com mais facilidade.
  • Fotos de família – Utilizando fotos das pessoas mais próximas, monte um pequeno livro ou álbum, com uma foto (preferencialmente do rosto) em cada página. Mostre as fotos uma a uma, dizendo com bastante clareza quem são: mamãe, papai, vovó, João, etc.
  • Treine diálogos – Utilize fantoches, bonecos ou simplesmente você e a criança. Faça perguntas, ajude a criança a responder. Repita a pergunta, espere a resposta. Faça isso repetidas vezes.
  • Complete a música ou a história – A criança certamente terá preferência por algum livrinho ou música. Cante (ou conte) aquela que for sua preferida, que já ouviu muitas vezes. Não fale a última palavra: “o galo cantou e a casa...” e espere a reação da criança. Então você completa “caiu!” e aplaude, faz festa. Repetindo essa brincadeira algumas vezes, espera-se que em algum momento ela tente participar também! A história dos três porquinhos também é ótima para isso: “Eu vou soprar, soprar, até sua casa….. derrubar!
  • Conviver com outras crianças – Quando uma criança típica aprende a falar, fala muito, sem parar. A convivência com outras crianças estimula a socialização e, como consequência, a imitação. Se você considerar cedo para colocá-lo na escola, vale recorrer aos priminhos ou ao parquinho do condomínio, O importante é que a criança crie vínculos de amizade, mesmo que seja apenas para “estar junto”.

Qualquer vestígio de evolução deve ser comemorado. Se você estiver ensinando a palavra “água” e a criança disser “a”, comemore, diga “Isso mesmo, água!”, pois para ela já será um grande passo no aprendizado da comunicação.

Grande parte do que comunicamos não é verbal, é importante então ensinar também as expressões faciais (Olha, ele ficou triste!) e corporais (Doeu/Machucou!).

O papel do fonoaudiólogo

Apesar dos pais poderem contribuir muito, buscar ajuda profissional é essencial. Um fonoaudiólogo que passe segurança à família deve ser cuidadosamente escolhido. Seu trabalho iniciará a partir das dificuldades que a criança apresenta. Ele pode intervir:

  • Na formação da linguagem verbal;
  • Na ordenação das palavras na frase;
  • Na ampliação do vocabulário (significado das palavras);
  • Na entonação da voz (crianças que falam muito alto ou muito baixo);
  • No ritmo da fala (fala pausada, gaguejos, repetições);
  • Na utilização dos pronomes adequados (falar em primeira pessoa ao invés de terceira);
  • Na redução de ecolalias;
  • Entre outros.

Métodos de Comunicação Alternativa

Algumas pessoas com autismo não conseguem desenvolver a comunicação verbal. E as dificuldades em comunicar-se podem desencadear comportamentos agressivos (a si mesmo ou aos outros), sentimento de frustração, isolamento, etc.

Por isso é muito importante oferecer a essas pessoas formas alternativas de comunicação, que lhe permitirão desenvolver maior autonomia nas atividades diárias, melhorar as interações sociais e reduzir condutas inadequadas. Trata-se de uma necessidade básica, como oferecer uma cadeira de rodas a uma pessoa que não pode andar.

A comunicação alternativa é composta por qualquer método ou recurso que permita pessoas não verbais se expressarem, compreenderem e serem compreendidas. Ela pode ser utilizada para substituir a fala, quando houver ausência de verbalização, como para estimular o desenvolvimento da linguagem.

O método que a criança utilizar deve ser também adotado por todos aqueles que fazem parte do seu ciclo social: familiares, professores, terapeutas, etc.

O principal método de comunicação alternativa é o PECS.

PECS (Picture Exchange Communication System)

O PECS é método alternativo de comunicação feito através de troca de figuras (desenhos, fotos, imagens de aplicativos, etc). Essa troca de figuras permite à criança informar o que deseja, expressar seus sentimentos e também desenvolver vocabulário.

Uma preocupação comum é que a criança, ao utilizar o PECS, acomode-se e perca o interesse de verbalizar. Confesso que também achava isso. Mas, ao contrário, o método estimula o início e o desenvolvimento da fala.

Portanto, o PECS pode ser utilizado tanto por crianças que não falam, quanto por aquelas que estão com a linguagem em desenvolvimento.

 

Por Amanda Puly

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