O autismo e o interesse restrito

Sabe aquela ideia equivocada que muitas pessoas têm sobre autistas serem gênios? Geralmente está relacionada ao interesse restrito, ou seja, a pessoa gosta tanto de um determinado assunto, que se fixa nele, gosta de ler, saber, se informar, falar sobre ele. Torna-se praticamente um especialista. Ao ver uma criança tão novinha sabendo tudo sobre aviões ou dinossauros, muitos acreditam que se trata de um “gênio”.

O interesse restrito pode ser por um assunto (como aviões), uma ação (como alinhar objetos), um objeto (brinquedo específico) ou um tema amplo (como geografia).

Mas isso é bom ou ruim?

Cada caso deve ser investigado em sua individualidade. Se nada mais interessa a criança além daquele assunto ou se não houver momentos em que ela se foque em outras coisas, é necessário intervir.

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O interesse restrito pode ser utilizado, de início, para se aproximar da criança. O assunto de sua preferência funcionará como uma porta de acesso à sua comunicação.

Gradativamente, é importante ir ampliando o interesse inicial. Meu filho teve interesse restrito em letras em números. E ainda tem uma habilidade incrível para decorar alfabetos em diversas línguas. Essa foi a chave para muitas pessoas se aproximarem dele. Utilizamos esse interesse para estimular outras áreas: através de livros, contando pecinhas de montar, desenhando com giz na calçada, explorando letras de materiais diferentes (EVA, madeira, plástico, tinta, etc).

Pode-se iniciar a aproximação utilizando o tema de interesse restrito, o adulto pode criar uma brincadeira paralela à sua ou conversar sobre o que entende desse assunto, fazer perguntas. À medida que a criança fica mais confiante, o adulto deve explorar as brincadeiras que ampliam o interesse, despertam a curiosidade.  Deve também ajudar a criança a aumentar seu repertório para conversas e brincadeiras sempre que ela estiver acessível.

 

O interesse restrito não deve ser proibido ou retirado da criança. Apenas precisamos usar a criatividade para explorá-lo, visando o desenvolvimento em outras áreas, bem como despertar o interesse por novos assuntos.

Por Amanda Puly

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3 Comentários

  • Trackback: Desmistificando o autismo | Clube Materno

  • Posted 26 de January de 2018

    Tayane

    Bom dia! Quando um autista fica sem ter um assunto de interesse por um período é comum ficar se sentido “perdido”, com depressão e muito triste?

    • Posted 26 de January de 2018

      Amanda Puly

      Bom dia Tayane! É comum sim! Não sei dizer como se manifesta nas crianças, mas digo por mim. Sem o hiperfoco parece que fica um vazio. É importante trazer assuntos novos, sem forçar, mas trazer novidades e fazer atividades físicas. Isso ajuda bastante. Um beijo!

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