Como falar sobre a morte com nossos filhos?

Por Paula Puly

Acontece com todas as famílias. É algo bastante dolorido e geralmente difícil de lidar. Se a morte já é um mistério para a maioria dos adultos, imagine para as crianças. Mas é um fato e não pode ser ignorado. E também não deve ser escondido das mesmas. Por mais doloroso que seja, é sempre melhor falar a verdade. Não ajuda em nada dizer que o ente querido fez uma longa viagem ou que o bichinho de estimação foi passear em algum lugar distante. Muito menos querer esconder sentimentos como tristeza e saudades. A criança percebe quando algo diferente está acontecendo e também deve ser informada, de forma delicada, mas clara sobre os fatos.

Esta semana, aconteceu o falecimento de uma das bisas dos nossos pequenos, nossa avó. Explicamos a eles, sem muitos rodeios, que ela estava doente no hospital (há dias já estávamos falando sobre isso) e agora morreu. Foi para o céu e não volta mais (cada família pode explicar de acordo com sua crença). Todos foram um pouquinho ao velório e deram uma olhadinha (sem serem forçados) nela. Foi tranquilo, cada um teve sua percepção e nenhum ficou impressionado ou traumatizado.

Às vezes parece que as crianças ficam indiferentes a esses acontecimentos, mas cada uma tem uma forma de compreender e lidar com a perda. Quem chamou a nossa atenção desta vez foi o Leandro (3 anos e 11 meses, autista). Primeiro, ele fez um pedido à titia: “Empreste os óculos para o vovô, porque ele tá triste”. Depois, enquanto eram feitas algumas orações, ele brincava com massinha de modelar em um canto e então, deixou sua mensagem:

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“Bisa dormindo em paz”

É claro que a reação da criança também irá depender muito da relação que tinha com a pessoa que faleceu. Pode ser muito tranquilo de lidar, mas também pode ser muito doloroso e difícil de aceitar que aquela pessoa não voltará mais. Nesse caso, será necessário muito carinho e muita paciência para ajudá-la nessa superação. Talvez a criança pergunte várias vezes pela pessoa, talvez se feche. Se a mudança no comportamento for muito drástica ou estiver prejudicando-a de alguma forma, é interessante procurar um psicólogo. Um profissional qualificado saberá orientar a família.

As experiências anteriores com morte também ajudam a criança a compreender melhor os acontecimentos. O contato com a natureza, bem como a observação da mesma, podem oportunizar vários momentos de aprendizagem sobre esse fato que faz parte do ciclo da vida. Um passarinho que caiu do ninho e não sobreviveu, uma aranha que foi pisada, uma plantinha que secou… São muitas as situações que os pais (também tios, avós) podem aproveitar para fazer os pequenos irem percebendo, aos poucos, a morte e desta forma, irem desenvolvendo na criança a habilidade de lidar com ela.

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